Diz-me com quem andas e te direi quem és.

Com que você tem andado?

Com que se mistura e por quem é misturado?

O que você faz ao acordar?

O que lê? O que estuda? O que provoca a sua mente?

O que faz você se levantar pela manhã?

Ou se levantar no meio da noite ou no meio do dia?

Qual a sua razão para viver?

Quem são seus amigos e amigas?

Com quem você tem andado?

Que interesses movem seu corpo e sua mente?

Que livros tem lido? Que conversas tem tido? A que programas de TV tem assistido?

O que posta no Facebook…no Instagram?

Quem é você?

Você faz companhia a si mesmo 24 horas por dia durante 365 dias por ano desde que nasceu e assim será até morrer. É melhor gostar de si mesmo. Você aprecia a sua companhia? Ou está sempre querendo estar com outras pessoas? Com quem você anda? Com a vida, com a morte, com os lucros, com a sorte? Anda com jovens e idosos, homens e mulheres, cães, cavalos, gatos e passarinhos?

Anda com a terra no seu giro sepulcral? Vai a enterros, velórios, casamentos, festas de nascimento? Seus canais de comunicação são limpos, transparentes? Você tem medo de ser pilhado na sua insignificância? Ser desmascarado? Sim, que tiram a máscara que você criou para si mesmo. E se descobrirem que você é uma farsa? A farsa do personagem forjado e retroalimentado por você e pelos outros.

Outros? Que outros?

O espelho mágico revela a sua face, aquela que o acompanha há mais tempo. Essa face ou essas faces, são boa companhia? Você é capaz de apreciar quem é, quem você está construindo, fazendo e refazendo a cada instante? Você é uma pessoa digna e confiável?

Formamos grupos, tribos, times de futebol, partidos políticos. Procuramos pessoas que sejam significativas para nossos propósitos. Alguns de nós nos sentimos confortáveis entre religiosos, outros entre filósofos. Há quem goste de estar entre professores, pensadores livres. Há quem prefira as tradições e os rituais antigos. Há quem queira inovar e estar entre cientistas e descobridores. Há quem se interesse por filmes de terror, crime, suspense. Há quem goste de chanchadas. Há quem prefira comédias e musicais.

A vida é uma escolha constante. Bailes de carnaval e baladas, o silêncio das capelas. Sopro de vento na face, motocicleta, veleiro, prancha. Ondas do mar.

Drogas, álcool, sexualidade descontrolada. Estudo, leitura, reflexão. Com sentido e sem sentido, escolhemos nossos parceiros e amigos, nossa turma. Mas nada é permanente. Mudamos e, ao nos transformamos, temos novos amigos, novas turmas. E alguns dos antigos podem nos acompanhar ou não. Nunca permanecemos os mesmos. Da música clássica ao pagode, passando pelo jazz e pelo rock’n’roll.

E quando não houver mais preferências? Quando seus olhos apenas virem, seus ouvidos apenas escutarem e a língua apenas decifrar os diferentes paladares? Assim haverá o céu e o mar, haverá a terra e as matas, cidades, teatros aterros, rios, montanhas, vilarejos. Pessoas dignas e indignas. De que lado você fica?

Buda era um mendigo itinerante. Havia abandonado castelos riquezas, servos, cavalos, carruagem. Havia abandonado o que é difícil de abandonar e caminhava à procura do caminho. Encontrou praticantes de ioga e se sentou com eles por anos. Depois praticou com ascetas por outros pares de anos – sem dormir, sem beber, sem comer. Finalmente sentou sozinho, sob uma árvore. No silêncio, ouviu todas as vozes interiores, suas provocações de entretenimento, seus medos, suas fugas. E permaneceu sentado.

Sorrindo, viu a estrela da manhã surgir e superou todos os seres que nele habitavam – dentro e fora. Tornou-se sabedoria pura, sem nada a ganhar e sem nada a perder. Sem medo e sem expectativas. Era o todo e era o nada. Assim caminhou, solene e suave, simples e macio, pelas estradas da Índia. Pessoas se aproximavam e o seguiam. Multidões. Mais de dois mil e seiscentos anos se passaram e ainda há multidões seguindo seus ensinamentos. Há diferenças entre os grupos. Há semelhanças da raiz comum, do mestre fundador original.

Jesus de Nazaré continua sendo o Mestre para multidões. Seguidores em inúmeros países, interpretando os ensinamentos e algumas vezes lutando entre si sobre o legado.

A quem você segue? Por quem é seguido? Hoje queremos ter muitos seguidores nas redes sociais. Perder um seguidor é temeroso, perder mais de cinco é pavoroso, perder milhares é um terror. Todos queremos ser seguidos, admirados. Vaidosos seres humanos, podemos até sentir prazer em provocar haters, pessoas que nos detestam. Seguidores haters…Mas seguidores.

Atenção. Queremos atenção, mas nem sempre damos a devida atenção ao conteúdo, ao valor, ao princípio de estar atento.

Quem é você? Observe-se em cada movimento e quietude. Diga-me com que andas e eu te direi quem és. Observe com quem você anda e você saberá quem está sendo, quem foi e quem virá a ser. Mas, ao descobrir quem você é, saberá com quem andar?

Por Monja Coen – do livro “Verdade? – Por que nem tudo o que ouvimos ou falamos é verdadeiro”.

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