Felicidade como liberdade para recusar

A ideia de felicidade acolhe a percepção de algo que podemos ter, vivenciar como possibilidade de propriedade, e daquilo que me possui por um sentimento, por algo que me ofereceram. Quase sempre a ideia de felicidade vem como presença, raramente nos vem como possibilidade de ausência.

O pensador genebrino Jean-Jacques Rosseau dizia: “a espécie de felicidade de que preciso não é tanto a de fazer o que quero, mas de não fazer o que não quero”.

Felicidade: não só fazer o que se quer, mas é também não fazer o que não se quer. Há um vínculo entre liberdade e felicidade. Sabemos que felicidade não é um estado contínuo, mas uma situação que pode surgir. Uma delas, que pode nos deixar uma alegria intensa, é poder dizer “não” àquilo que não se quer fazer.

Por isso, é impossível desvincular felicidade de liberdade. A liberdade de ação, a liberdade de pensamento, a liberdade de culto, a liberdade do afeto. Essas liberdades nos permitem retirar da nossa cena aquilo que não queremos, oferecendo uma condição em que a felicidade seja um momento de vibração também por algo em que se evita o desapontamento.

Felicidade não é só presença daquilo que se quer, mas também a condição de recusar, dizer não, afastar aquilo que não se quer.

Por Mario Sergio Cortella, do livro “Pensar bem nos faz bem! – filosofia, religião, ciência e educação.

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