O mundo das palavras: pós-guerra, soldados enigmáticos e um som misterioso no livro “Piano Vermelho”

Uma história desafiadora!

Fazia muito tempo que eu não lia literatura, o que indiretamente me deixava um vazio como leitor! Existia um desejo de voltar a ler… mas eu não queria escolher qualquer livro ou qualquer gênero. Então, depois de um amigo secreto (amigo roubado) no ano passado, tive no livro “Piano Vermelho” o estímulo necessário para voltar para a literatura.

O livro tem uma abordagem muito forte de suspense e sua história se passa um pouco depois da 2º guerra mundial com a banda “Os Danes”, de Detroit – Estados Unidos. Os integrantes da banda “Os Danes” viviam trabalhando em um estúdio, ora buscando desenvolver as próprias músicas, ora ajudando o desenvolvimento de outras bandas, mas sempre enchendo a cara – talvez numa esperança de que o álcool fosse ajudar a resgatar a criatividade.

“Hoje, em 1957, o Caminho o levou a um bom lugar. Um estúdio de gravação no centro de Detroit, na esquina da Elizabeth com a Woodward. Os Danes (‘os queridinhos de Detroit’, como chamava o Detroit Free Press) eram os donos do estúdio. Uma divisão em quatro partes. Larry, o baixista dos Danes, sempre atrás de diversão, um freak de cabelos compridos, descobriu o lugar. Um quadrado vazio de blocos de concreto, outrora usado para depenar aves, com uma acústica perfeita demais para deixar passar.”

Em determinado momento da vida de ensaios, bebidas, bares e diversão, “” recebem um convite de um misterioso funcionário do governo dos Estados Unidos: ir até o deserto da Namíbia (África) para descobrir a origem de um som. Bem, uma missão para descobrir a origem de um som? Mas não era qualquer som. O governo dos Estados Unidos estava preocupado, já que o som desabilitava equipamentos e armas, e também “destruía” as pessoas.

Havia um receio de que o som pudesse ser uma arma em desenvolvimento de algum país, com o objetivo de afetar as forças-armadas norte-americanas. Uma história bem sem graça? Nem tanto. A narrativa construída pelo autor, Josh Malerman (que escreveu também “Caixa de Pássaros” e virou filme na Netflix), alterna entre passado e presente, ou seja, no momento em que Philip Tonka e o resto dos integrantes do “Os Danes” mergulham na missão no deserto, e no momento dos efeitos dessa missão.

“Ele está em uma sala que não conhecia. Faz mais frio ali do que na Unidade de Reabilitação, que, por sua vez, era mais fria do que a unidade 1. E, embora a Unidade de Reabilitação tenha sido projetada para abafar todo e qualquer som, a sala em ele está é exatamente o oposto. É um cubo: paredes, chão e teto de aço, excelentes condutores para um eco, capazes de preservar um som, qualquer som, por um tempo anormalmente longo.”

Alternar entre passado e presente, e possuir capítulos pequenos, torna mais interessante a leitura pelo falo de despertar o desejo de saber o que acontece em cada um dos momentos. A história de Malerman vai cada vez prendendo o interesse – o que para mim foi muito bom-, mas faltou um “fechamento de impacto”. Quase no final do livro, a narrativa só se foca no presente, até apresentar o seu desfecho. Particularmente, a narrativa foi ótima, o contexto de guerra, com soldados e mistérios envolvidos, também foi ótimo, mas o final não acompanhou todo o desenvolvimento. Bem…mas isso é minha opinião. Sugiro que você também possa ler para chegar às próprias conclusões!

Livro: Piano Vermelho.

Autor: Josh Malerman.

Editora: Intrínseca.

Ano: 2017.

Paz e Bem.

Por Ricardo Verçoza – Professor e escritor.

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