E se eu não quiser o “bom”? E se eu quiser o “extraordinário”?

Uma vez me falaram que devia me contentar com uma vida boa, pois nela encontro tudo na medida certa. E com uma dosagem que não foge para o errado, como num conta gotas, toda harmoniosa e em perfeito equilíbrio, sigo com as expectativas só daquilo que é esperado. Ah…vida!

Por um tempo eu gostei da ideia de ter uma vida boa, pois me sentia confortável, hipnotizado e seduzido. Nela existe uma rotina… na verdade um roteiro predefinido, com informações modeladas para proporcionar satisfação por algo que não incomoda nem estressa. Na essência é algo que nem é frio nem é quente, feito propositalmente para deixar na zona de conforto e que conduz só e somente a um mesmo padrão de respostas e comportamentos. Ah…vida!

A importância dada para as coisas e fatos é seletiva numa vida boa: só aquela marca de celular é que vale a pena… só aquele relacionamento que produz textões nas redes sociais é intenso e verdadeiro… só aquele emprego que tira o juízo e a paz é o que vai proporcionar status. E por pensar assim, vou me conduzindo a aceitar a fórmula muito bem valorizada na sociedade de uma vida boa. Mas… e se eu não quiser o “bom”? Se o “bom” for muito pouco para o tamanho da minha sede? Se eu não quiser o padrão… a repetição… a ilusão das aparências… a fragilidade da internet…  a insanidade materialista ou o ego imaturo dos status passageiros? Ah… vida!

Você pode me julgar sonhador,

Por querer ser a exceção,

Numa sociedade que desconhece o amor…

Desculpe, não tenho o perfil para viver as regras,

De quem não sabe o meu valor!

Eu não me contento mais com “o bom”, até porque é tesão fraco que não arrepia o corpo nem arrebata o coração. O “bom” é média, é morno, é hábito… o “bom” é programável, é previsível, é risada sem envolvimento e sexo sem vontade. O “bom” é o estado em que me encontro quando não me permito conhecer mais do mundo que há em mim. Aceitando o “bom”, coisas e pessoas vão passando sem intensidade, sem paixão e sem marcar na memória nem arrancar suspiro. Ah… vida!

Mas porque aceitar?! E se eu quiser o “extraordinário”!?! E se eu quiser sair do lugar comum?! O “extraordinário” não é somente para pessoas escolhidas ou preparadas, cheias de fortunas ou iluminadas… é, antes de mais nada, para todo aquele e aquela que busca enxergar beleza na simplicidade, ordem na bagunça e esperança onde só reina desilusão. O “extraordinário” não é um destino final, a ausência de frustração ou o ‘felizes para sempre’ todo o tempo, mas uma caminhada de contemplação, desafios e limites que são constantemente testados: é sentir-se desorientado e não deixar de se encantar com os detalhes… é dormir pouco e ter motivo para sorrir… é sentir saudade é ainda assim reunir forças para brilhar. Ah… vida!

Muitos diriam que isso de “extraordinário” é utopia… já outros até dizem que existe, mas é tudo tão breve que quase não dá para aproveitar. As utopias valem a pena quando há doação por completo e bons sentimentos, e a brevidade traz a beleza para entender que sou somente ‘aquele momento’. A intensidade da jornada também se mede pela disposição de mergulhar fundo para experimentar e explorar o que ainda me põe medo. Ah…vida!

Com a vida cheia de clichês,

Tudo bem organizado e racional,

Quero aquilo que foge do tradicional,

Para que possa viver o extraordinário,

Com todo seu esplendor revolucionário!

Viva o extraordinário!

Paz e bem.

Por Ricardo Verçoza – Professor e escritor >> @CapitaoCoragem

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